Quando você não está, eu leio suas coisas. É o mais perto de ouvir sua voz e aplacar o mínimo possível de saudade. E não, eu não vou gastar uma ligação com você. Eu nem saberia o que dizer. "Liguei só pra ouvir sua voz." Não. Definitivamente. Não. Me recuso me entregar ao clichês, não consigo, não faz meu tipo. Então eu leio. Te leio. Te imagino. Ouço da sua voz à sua respiração. Ouço seu coração. Tudo na minha cabeça. São coisas das entrelinhas e só eu sei ler.
Antigo Nem Metade. Se você resolver ler todo o blog e perceber a grande mudança nos textos depois de uma longa pausa na escrita, a razão é que, nesse meio tempo, mudei. É bem simples, na verdade. Não quis me desfazer dos textos antigos por que não quero me desfazer de quem eu fui. Espero que goste, do novo e do velho. Haverá contos, crônicas, poemas, histórias sobre meus gatos e o que mais vier nessa conversa.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
chuva
Na escuridão da noite, nada se via, a não ser durante as frações de segundo dos relâmpagos.
Ela achava a situação mais excitante e apaixonante ainda. Nunca sabia quando os olhos se encontrariam, que expressão de prazer flagaria.
Viu sorrisos, viu olhos fechados, viu lábios entreabertos.
Cada relâmpago trazia uma nova onda de calor e euforia.
Os corpos quentes e agarrados bloqueavam o frio que a água gelada da forte tempestade trazia.
Os gemidos, abafados pelos trovões e as gotas de chuva que escorriam pele abaixo, faziam jus a quantidade de amor que transbordava no peito.
Ela achava a situação mais excitante e apaixonante ainda. Nunca sabia quando os olhos se encontrariam, que expressão de prazer flagaria.
Viu sorrisos, viu olhos fechados, viu lábios entreabertos.
Cada relâmpago trazia uma nova onda de calor e euforia.
Os corpos quentes e agarrados bloqueavam o frio que a água gelada da forte tempestade trazia.
Os gemidos, abafados pelos trovões e as gotas de chuva que escorriam pele abaixo, faziam jus a quantidade de amor que transbordava no peito.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
cílios
o carinho sútil que seus olhos me fazem na coxa sempre que você deita a cabeça no meu colo e simplesmente pisca
domingo, 20 de setembro de 2015
calor
O calor é insuportável. O quarto é quente e abafado. O contato do lençol na pele faz pinicar. A pouca roupa de pijama incomoda.
O pobre ventilador não dá conta do recado, embora o ambiente seja minúsculo e a temperatura da noite caia e se torne mais amena, na teoria, e a janela esteja aberta na esperança de uma brisa que nunca vem.
O corpo dela é sempre morno, menos durante a gripe, quando ele esfria. No mais, constantemente morno.
O dele é quente. Perfeito para os dias frios, quando deitar no peito nu é absurdamente aconchegante. Quente como o sangue de um cavalo. Febril. Constantemente febril.
Quando se deitam para dormir, é impossível que durmam abraçados, como sentem vontade. O suor escorre pelas dobras das pernas e braços, escorre onde as peles se tocam, se grudam. O cabelo comprido precisa estar preso pra poupar a sensação de enforcamento pelos fios que colam no pescoço.
Ela se encosta na parede fria e ele chuta o cobertor desnecessário pra longe.
Mas para se fazerem presente um ao outro, os pés se tocam.
Sempre.
sábado, 19 de setembro de 2015
Será que ela está feliz
ou se esconde na trégua
em que não nos falamos?
Eu rezo para não ter paz
no corpo dela.
Sua boca é vinho no inverno,
figo no verão.
Seu olhar fica flutuando sozinho,
a nudez para cima, ondulada
como as linhas de uma montanha.
Expondo-se ao sol
com uma dispersão selvagem.
Não me aproximo. Não a toco.
Sua solidão é exigente
e quer tudo. Menos a sabedoria
para se explicar.
(Carpinejar)
ou se esconde na trégua
em que não nos falamos?
Eu rezo para não ter paz
no corpo dela.
Sua boca é vinho no inverno,
figo no verão.
Seu olhar fica flutuando sozinho,
a nudez para cima, ondulada
como as linhas de uma montanha.
Expondo-se ao sol
com uma dispersão selvagem.
Não me aproximo. Não a toco.
Sua solidão é exigente
e quer tudo. Menos a sabedoria
para se explicar.
(Carpinejar)
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
decepção
A decepção que eu acho que é sua, na verdade é minha. É só o medo de que você me veja como eu me vejo.
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